30 de março de 2013

Fundamentando Conceitos

Não é porque estudo gastronomia que tenho Alex Atala como grande ídolo. Ele tem grande mérito na construção desse novo cenário gastronômico do Brasil, mas eu ainda estou fundamentando conceitos e filtrando o que de melhor encontro, para no futuro ter a minha opinião. Concordar com tudo seria um processo comodo de assimilação, e o que eu quero é produção de conhecimento. Assisti a uma entrevista dele ao programa Roda Viva da TV Cultura de SP, exibida em dezembro de 2012, e concordo com muita coisa que ele diz, e que se aplica não somente a gastronomia.
Uma delas é a desmistificação desse termo "Chef". Antes de decidir pela carreira, sabia que o que eu seria mesmo é cozinheiro. Talvez um dia, chefiando uma equipe dentro de uma cozinha, esse titulo tenha algum significado. Não vou rasgar meu futuro diploma de "Chef Internacional", mas sei que tenho muita batata pra descascar, muito caldo pra fazer, muita louça pra lavar antes de subir no salto do meu Croc, o que acredito que nunca irá acontecer, porque em dezoito anos de vida profissional, jamais fui arrogante como líder.
Mas esse é um grande problema. O brasileiro tem uma baixa estima tal, que precisa de um título, de uma viagem ao exterior, de uma garrafa de vinho importado para se sentir gente. Pura besteira, falta de confiar em si mesmo.
Já produzimos excelentes vinhos, temos ótimas escolas, restaurantes de excelente nível, que não justificam mais ter que ficar ilustrando as frases com predicativos desnecessários para se sentir melhor que os outros.
Somos um pais com apenas quinhentos anos, e pouco mais de cem anos de independência, portanto é obvio que devemos aprender e respeitar muitas bases estrangeiras. Mas passou da hora de valorizar o que é nosso. Defender nossos ingredientes, nossas cores, nossos sabores, nossos profissionais, nosso..., nosso..., sem medo do pronome possessivo.
Alex Atala tem feito isso muito bem, tem divulgado a gastronomia do Brasil lá fora e apresentado aqui dentro nossos sabores de raiz. 
Temos problemas diversos e graves que só serão resolvidos se as gerações atuais tiverem base de educação, mas nesse momento já há frutos a colher enquanto plantamos novas árvores.

O link a seguir traz a entrevista na integra: Alex Atala | Roda Viva | dez.12

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